
Foram entrevistados 96 profissionais do sexo em saunas, ruas, parques e praças de Belo Horizonte, entre 22 de outubro de 2005 e 20 de janeiro de 2006 nesta primeira fase do projeto.
A pesquisa só acontecia mediante prévia explanação dos objetivos.
No contexto formal da pesquisa, em nenhum momento foi solicitado nomes ou qualquer referência pessoal.
Garotos de programa – 73%
Travestis – 27%
IDADE
Até 15 anos – 2,5%
16 a 19 anos – 13%
20 a 24 anos – 32%
25 a 29 anos – 34%
30 a 40 anos – 16%
Mais de 40 anos – 2,5%
ESCOLARIDADE
1º grau – 38%
2º grau – 46% (a grande maioria não completou)
Superior – 16%
76% (N=100%) não continuaram os estudos por força da busca de trabalho (destes, 20% (N=76%) afirmaram estar satisfeitos com o ensino que têm, não precisando de mais nada).
16% (N=100%) ainda estão estudando
8% (N=100%) concluíram os estudos (destes, 80% [N=8%] são de nível superior).
PROFISSÃO
58% afirmaram exercer atividades profissionais regulamentadas, como auxiliar de escritório, porteiro, mecânico...
42% afirmaram exercer apenas atividades ligadas ao sexo, como massagistas ou acompanhantes.
RENDA – salário mínimo
Menos de um – 14%
01 a 03 salários – 58%
03 a 06 salários – 12%
Acima de 06 – 16%
Preços praticados como profissionais do sexo:
80% cobram, em média, R$30,00 (trinta reais) por programa.
15% cobram mais de R$50,00 (cinqüenta reais) por programa.
5% cobram mais de R$200,00 (duzentos reais) por programa.
MORADIA E FAMÍLIA
85% (N=100%) não têm casa própria. Destes, 75% (N=85%) moram com os pais ou amigos.
22% (N=100%) moram com esposa ou companheira e têm filhos.
RELIGIÃO
Católica – 51%
Espírita – 19%
Evangélica – 14%
Não tem – 14%
Outras – 2%
COR DA PELE
Branco – 28%
Pardo – 54%
Negro – 18%
ATIVIDADES SEXUAIS
30% atendem também mulheres
32% atendem também casais: homos e heteros.
42% atendem somente em saunas
81% atendem em outros locais
18% atendem a domicílio (tel, e internet).
88% afirmaram ser sexualmente ativos
51% disseram ser também passivos
98% dos travestis afirmaram ser ativos
Obs.: esta questão é de múltipla resposta.
TEMPO QUE PRATICAM A PROFISSÃO
Até 01 ano – 39%
02 a 05 anos – 23%
06 a 10 anos - 22%
Mais de 10 anos – 16%
COMPORTAMENTO
30% afirmaram já terem sido vítima de violência
46% foram (são) vítimas de preconceito por fazer programas
Obs.: 85% desconhecem por completo a Lei 14.170. 15% já ouviram falar.
87% disseram que não fazem uso de droga durante o programa. A maconha é a droga mais utilizada.
55% fazem uso de álcool durante o programa e fora dele.
PREVENÇÃO ÀS DSTs
90% não têm problemas em propor o uso da camisinha
- O restante diz que o problema é de ereção, dele ou do parceiro.
Onde encontram o preservativo
79% (N=100%) disseram ganhar o preservativo
55% (N=100%) compram a camisinha
27% (N=100%) usam a do parceiro
Obs.: esta questão é de múltipla resposta.
Quando não usou o preservativo
15% afirmaram que o não uso foi em troca de benefício financeiro.
10% disseram que o não uso foi em relacionamento com a parceira fixa.
Obs.: 75% afirmaram não dispensar nunca o preservativo.
EXAME DE AIDS
62% (N=100%) afirmaram já terem feito pelo menos UM exame (pouquíssimos lembram a data)
- 80% (N=62%) na rede pública.
A grande maioria dos que não o fez, disseram ter sido por falta de oportunidade ou por desconhecer os locais.
72% (N=100%) afirmaram estar cientes do risco de contrair a Aids.
- formas de contágio mais assinaladas: rebentar a camisinha, sexo oral, boca machucada, sangue, beijo, lágrima, sexo coletivo e suor.
- os que afirmaram não correr risco baseiam-se no fato de sentirem-se protegidos com o uso da camisinha.
26% afirmaram conhecer o Projeto Horizonte, a maioria de “ouvir falar”.
A primeira fase desta pesquisa foi realizada em 04 saunas homossexuais do centro de Belo Horizonte, Praça Sete, Parque Municipal René Gianetti, alto da Av. Afonso Pena e região do Barro Preto, no período de outubro/2005 a janeiro/2006. A segunda fase já está em andamento.
Belo Horizonte, 23 de janeiro de 2006.
LIBERTOS COMUNICAÇÃO, em parceria com a Coordenação Estadual de DST/Aids - MG e o Projeto Horizonte – UFMG, e participação operacional do Grupo Conceito – BH.
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