O HOMOSSEXUAL NA MELHOR IDADE
Envelhecer é inexorável, a menos que se morra jovem.
Esta generalização, por mais real que seja se encerra aí quando observamos as questões específicas dos diferentes grupos de indivíduos. Idosos de uma comunidade rural tem comportamentos diferentes daqueles cosmopolitas. Idem para asiáticos e europeus, muçulmanos e judeus... Seus costumes, seus valores, suas verdades serão refletidos em todas suas possibilidades e limitações.
O mesmo se sucede entre as várias faces da sexualidade humana. Aqui, abordaremos os heterossexuais e homossexuais.
Claro que em alguns momentos essas variantes se cruzam e podem até caminhar lado a lado por um bom percurso, como o valor dado à juventude. “Ah, se juventude soubesse e se velhice pudesse...”, como diz a irônica máxima francesa. No que se refere ao quadro clínico, físico, podemos ser aparentemente todos iguais, porém, muitas e profundas são as diferenças que separam a melhor idade homossexual da convencional.
Os homossexuais – em termos gerais - passaram a vida sofrendo o estigma do preconceito apenas pelo “pecado” de desejar o mesmo sexo. Incontáveis são os que perderam seus empregos, foram expulsos de escolas, de seus próprios lares por conta da incompreensão vigente no mundo heteronormativo. Quantos e quantas entregaram suas vidas empunhando a bandeira do arco-íris (símbolo da comunidade homossexual) na luta por direitos iguais. Muitos foram enxotados de delegacias porque desejavam justiça para com seus pares assassinados com requintes de crueldade, sem motivo algum que não a homofobia, este crime hediondo.
Toda uma vida tentando mostrar ao “outro lado” que se desejou apenas o direito à felicidade.
Portanto, quando chegam à etapa final da vida, é justo que recebam um tratamento que demonstre o quanto são compreendidas suas diferenças, para que esta fase seja realmente chamada “melhor idade”.
Felizmente, muitas tem sido as conquistas da comunidade homossexual nos últimos anos. As Paradas do Orgulho Gay tem se multiplicado e o reconhecimento de nossos direitos vem ocorrendo em vários setores da sociedade, inclusive na esfera governamental, que já reconhece a necessidade da implantação dos Centros de Referência GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros). Mas muito ainda resta por fazer neste campo, como veremos mais abaixo.
No meio empresarial já se nota a preocupação diferenciada quando agências de viagens, companhias aéreas, resorts e pousadas passaram a oferecer pacotes com destinos GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) para o público da melhor idade.
Infelizmente, outra preocupação veio à tona recentemente. A aids. “Esta população (heteros e homos), compreendida para a classificação cronológica como a terceira idade, tem se contaminado com impressionante rapidez nos últimos anos. Do ano 2000 para cá, o número de infectados dobrou passando de 7,5 casos por 100 mil habitantes para 15,7/100 mil”.
“A explicação para o crescimento na população idosa, segundo alguns especialistas, é a melhoria da qualidade de vida desta população, patrocinada pelo avanço da medicina em relação ao funcionamento de certos processos biológicos, como a reposição/correção hormonal e os tratamentos para disfunção erétil”.
“Carlos Alberto Moraes e Sá, do hospital Gafree Guinle, no Rio de Janeiro, afirma até que o aumento da contaminação é um sinal positivo, que mostra a efetiva melhoria da qualidade de vida desta população”.
“Um outro aspecto apontado para este aumento impressionante das contaminações nesta faixa etária são as experiências extraconjugais, e aí se insere o tema do homoerotismo. Muitos homens heterossexuais se contaminam em experiências sexuais homo, e contaminam suas parceiras, que nem desconfiam das ‘escapadelas’ de seus íntegros maridos. O mesmo ocorre invertendo-se os papéis, mas culturalmente, a força falocrática coloca o homem como o agente da hipocrisia moral”.
“O governo, do ponto de vista técnico-científico, faz a sua parte, e a sociedade deve engajar-se nesta luta, que é de todos. Mas, sem o exame dos enunciados que constituem a subjetividAIDS (o conjunto de elementos corporais e incorporais, signos sociais que sustentam a propagação da epidemia), não se poderá combatê-la de modo eficiente”.
Voltando às conquistas, “se hoje, GLS têm pouco espaço nos programas de direitos e benefícios dos governos, salvo exceções como Estados Unidos, Canadá, França, Portugal, Holanda, Inglaterra, entre outros que garantem ao menos parcerias domésticas até casamento gay como recentemente instituído na Alemanha, como ficam os GLS idosos que ocupam menos espaço na mídia e nos programas de governo?”.
“Em Nova Iorque, existe uma instituição especialmente destinada a homossexuais na 3a Idade, a Senior Action in a Gay Environment (SAGE) que age em programas de auto-estima e de reunião da comunidade, assim como advoga em relação à família, herança, benefícios sociais, e no Brasil, que ainda engatinha em termos de direitos GLS, será que vamos chegar até este dia? Gays, lésbicas e transexuais da terceira idade sofrem os mesmos problemas que os heterossexuais em termos de isolamento da família, problemas de saúde e de dinheiro, só que acrescenta-se aí a questão do duplo preconceito: gay e velho. Ninguém quer envelhecer sozinho, mas arranjar um parceiro não é tarefa fácil quando você não pode competir com os mais jovens. O ideal seria envelhecer juntos, mas e se seu companheiro está doente, coisa em que os heteros levam vantagem, já que você não têm direito a tomar decisões hospitalares, ou até dividir o mesmo quarto com o companheiro. Há casos e casos abarrotando a mesa de advogados de homossexuais que ficam viúvos e têm que lidar com a família do companheiro, que se antes não queria tomar ciência do parente, hoje quer tomar a casa que eles moram, a herança, e a pensão. Será por isto que os GLS mais velhos tendem a isolar-se?
De acordo com o jornal 'Newsday', os anúncios no metrô e nos ônibus de Nova York exibiram fotos de homossexuais idosos. A campanha, de iniciativa da ONG SAGE, teve como slogan "There´s no expiration date on a full, active life" (Não existe data de validade numa vida plena e ativa) e quis dar mais visibilidade aos gays da terceira idade.
O diretor executivo da ONG, Michael Adams, disse que LGBTs idosos são ‘invisíveis’ na sociedade moderna. ‘Espero que os anúncios mostrem às pessoas que homossexuais idosos não são velharia’, afirmou.
A SAGE investiu 350 mil dólares na campanha”.
Também nos Estados Unidos foram feitos alguns condomínios direcionados ao público GAY da terceira idade. Ao contrário dos jovens que preferiam continuar com o leque aberto, os mais velhos, sem família constituída, viam na comunidade uma opção mais segura e confortável.
“Uma pesquisa do Bell and Weinberg Research conclui que GLS da 3a Idade têm mais probabilidade a fechar seu círculo de amizades do que heterossexuais, que tendem a se estabelecer em laços familiares. Isto se deve não somente ao preconceito, mas a um lado positivo, que reflete a independência afetiva e financeira de homossexuais com relação á família. Como solução para os problemas de integração entre seniores gays, organizações ativistas criaram os retiros GLS, que seriam uma substituição ao asilo comum, onde reúnem a comunidade”.
Acredito seja este um dos principais olhares para com o homossexual na terceira idade: sua sociabilidade. Devemos estimular pesquisas e projetos que trabalhem esses locais de encontros e vivência, mas, como dito acima, não como asilos de velhos, mas Centros de Atividade, onde esse público possa liberar seus sonhos e fantasias, desenvolver práticas culturais e de lazer devidamente assistidas por psicólogos, geriatras, fisioterapeutas e, tão importantes quanto, animadores. Esses centros podem ser mantidos pela iniciativa privada ou governamental, ou parcerias com ONGs afins.
É preciso desmistificar de vez a lenda de que idoso é tudo igual, não liga pra mais nada, está apático a tudo... Balela! Basta dizer a eles que ali tem uma festa, ou que atrás daquela porta tem gente nua que todos acorrem serelepes. Só devemos não nos esquecer das sutilezas que diferenciam esses estímulos. Pelo fato de serem mais maduros e mais esclarecidos, eles também tem maneiras especiais de buscar a felicidade.
DIA DO IDOSO - 27 de setembro
Idoso é quem tem o privilégio de viver uma longa vida... Velho é quem perdeu a jovialidade.
Osmar Rezende
Libertos Comunicação
Utilidade Pública – Lei 16035 – MG
Belo Horizonte
Este texto foi montado com trechos extraídos das seguintes fontes de pesquisa:
Ministério da Saúde
S.A .G.E. – Senior Action in a Gay Environment
ABRAT-GLS – Associação Brasileira de Agentes de Viagens
TAM Viagens
Grupo Guri – Associação Gay de Minas
GGB – Grupo Gay da Bahia
Dikerama
João Batista Pedrosa - Psicólogo
Paulo Bonança – Psicólogo
Revista Trip
Gay Brasil
GLX
GLS Planet
Athos GLS
MIX Brasil

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